Mainframe: a tecnologia que nunca vai morrer

Mainframe está morto? Sayonara Denadai, analista de sistemas com 30 anos de experiência, explica por que os bancos ainda dependem dessa tecnologia em 2026.

Sayonara Denadai

5/16/20243 min read

Mainframe: a tecnologia que nunca vai morrer

Se você trabalha com tecnologia há algum tempo, já deve ter ouvido alguém dizer que o Mainframe está com os dias contados. Eu ouço isso desde os anos 90. E olha onde estamos em 2026 — o Mainframe continua de pé, processando trilhões de transações todos os dias, movimentando a economia global em silêncio.

Eu sei disso porque vivo esse universo há mais de 30 anos.

O que é o Mainframe afinal?

Mainframe é um tipo de computador de grande porte, desenvolvido para processar volumes gigantescos de dados com altíssima disponibilidade e segurança. Não é um servidor comum. É uma máquina projetada para não parar — literalmente. Os índices de disponibilidade de um Mainframe chegam a 99,999%, o que representa menos de 5 minutos de inatividade por ano.

Bancos, seguradoras, governos e grandes varejistas dependem dessa tecnologia para funcionar. Quando você passa o cartão no caixa, quando consulta seu saldo no aplicativo do banco, quando a Receita Federal processa sua declaração de imposto de renda — existe uma boa chance de que um Mainframe esteja por trás disso tudo.

Por que todo mundo decretou a morte dele?

Nos anos 2000, com a explosão da internet e das linguagens modernas como Java e Python, muita gente apostou que o Mainframe seria aposentado em poucos anos. Era caro, parecia obsoleto e os jovens programadores não tinham nenhum interesse em aprender COBOL.

O problema é que ninguém contou para os bancos.

Migrar sistemas críticos que processam milhões de transações por dia não é como trocar de celular. É um processo arriscado, caro e demorado. Muitas empresas tentaram e voltaram atrás depois de enfrentar problemas sérios de performance e segurança.

O resultado? O Mainframe ficou. E continua firme.

Os números que provam que o Mainframe está vivo

Os dados do mercado atual deixam claro que essa tecnologia não vai a lugar nenhum tão cedo. Estima-se que ainda existam mais de 220 bilhões de linhas de código COBOL em operação no mundo. Aproximadamente 95% das transações em caixas eletrônicos passam por sistemas Mainframe. Os maiores bancos do Brasil e do mundo ainda rodam seus sistemas core nessa plataforma.

E o mais importante para quem trabalha na área: as vagas estão voltando. A geração que construiu esses sistemas está se aposentando, e há pouquíssimos profissionais jovens qualificados para substituí-los. Isso criou uma escassez real de mão de obra especializada — e escassez significa valorização.

COBOL: a linguagem que sustenta o sistema financeiro mundial

O Mainframe e o COBOL andam juntos. COBOL, criado em 1959, foi projetado especificamente para processar grandes volumes de dados de negócios. É verboso, legível e incrivelmente estável — características que o tornam ideal para ambientes onde um erro pode significar prejuízos milionários.

Hoje, em 2026, aprender COBOL é uma das apostas mais inteligentes que um profissional de TI pode fazer. Não porque seja moderno, mas porque é onde o mercado está com falta de gente.

O Mainframe está evoluindo, não morrendo

Outra coisa que muita gente não sabe: o Mainframe moderno não é aquela caixa preta isolada do passado. Hoje ele se integra com cloud, APIs e tecnologias modernas. A IBM continua investindo pesado na plataforma, lançando novas versões do z/OS e integrando inteligência artificial diretamente no hardware.

O modelo híbrido — Mainframe no core, cloud na periferia — é a realidade de grande parte das empresas financeiras hoje. Isso significa que o profissional que conhece os dois mundos tem um diferencial enorme no mercado.

O que isso significa para sua carreira

Se você está em TI e nunca olhou para o Mainframe, talvez seja hora de reconsiderar. A barreira de entrada caiu muito nos últimos anos. A IBM oferece o programa IBM Z Xplore gratuitamente, com cursos de COBOL, JCL, DB2 e TSO/E, emitindo badges reconhecidos pelo mercado.

E se você já tem experiência na área — como eu — vale a pena atualizar e reposicionar esse conhecimento. O mercado está pedindo exatamente isso.

Eu comecei no Mainframe em 1995. Passei por Accenture, TCS, projetos de grande porte para a Vale. E posso dizer com toda a certeza: em nenhum momento dessa trajetória o Mainframe foi um problema. Sempre foi diferencial.

A tecnologia que todo mundo disse que ia morrer continua viva — e pagando bem.

Sobre a autora Sayonara Denadai é analista de sistemas sênior com mais de 30 anos de experiência em Mainframe COBOL/DB2, Scrum Master certificada (PSM I) e especialista em ambientes críticos. Trabalhou em projetos de grande porte na Accenture e TCS, com clientes como Vale.